quarta-feira, dezembro 20, 2006

"Frio de rachar"

É assim que hoje o IOL (e a generalidade da comunicação social) descreve a situação em Portugal, com temperaturas mínimas de -1 e -2 em algumas capitais de distrito, e -5 em Bragança. Além disso, "formação de geada até ao Natal".

Bem... Enquanto isso no Colorado...

Uma observação do clima nos EUA hoje:

Boulder é fácil de localizar: é ali pela zona preta. :)

A tempestade já é considerada a pior em vários anos por estas bandas. A neve começou a cair intensamente pelas 8h e às 12h30 o meu carro estava inapto para conseguir abandonar o estacionamento do escritório (aquela máquina... como é possível?!). Regressei a casa com o Paulo graças à boleia de uma SUV enorme (gigantesca, nos padrões europeus). Menos sorte teve muita gente que ficou presa nas estradas e auto-estradas inter-estaduais, e lá deve passar a noite. Em Boulder, provavelmente dos sítios menos maus, a mínima para esta noite são -9ºC, devendo nos próximos dias andar por estes valores, com máximas de 2 ou 3. Ainda que a neve seja só até amanhã.
Contudo, os serviços básicos nunca pararam de funcionar, o supermercado (e as lojas de bebidas) estiveram sempre abertas, e consegui comprar jantar aqui em frente...

Meus caros... É tudo uma questão de perspectiva...

PS: Uma imagens, tiradas pouco depois do almoço, depois de umas 6/7 horas de neve, e com muita pela frente...

The American (food) way!

Breves imagens (literalmente) desse imenso mundo, com tanto que se diga...

Uma bebidazita, tamanho normal...:

Reparar no pormenor do atestar de gelo. É sempre assim, mesmo que estejam 15ºC negativos (facto comprovado). Com a garantia que temos recargas grátis, que incluem de gelo também, obviamente...

Segue-se o menu típico:

Reparar nos 2 pormenores essenciais: "mundialmente famoso" (alíás, com certeza só superado pelo choco frito Setubalense), e o difícil de traduzir "big fat juicy jumbo", mas que definitivamente envolve tamanho e gordura. Referira-se ainda que, além das planetárias "crispy chicken wings", há as extremamente populares "buffalo chicken wings". Produto com certeza de algum animal mitológico Americano, à semelhança da enorme vanguarda tecnológica da biológia Portuguesa. Nomeadamente do IST, que também aí fazia por brilhar, ao conseguir servir na cantina arroz de pato com bocados de orelha de vários centímetros...

Boulder é um sítio verdadeiramente fantástico em termos atléticos e de saúde. Mas para o geral dos EUA, eu sou um rapazinho enfezado e mal-nutrido... :) Se tudo o mais falhar, em breve o best-seller "Eu e a comida, 10 segredos Tugas em direcção a anorexia", com prefácio de Manuel Luís Goucha.

domingo, dezembro 10, 2006

Ida ao WC

Quando que se quer dar uma volta num Domingo à tarde... Onde se vai? Resposta:


Ao Monte Sanitas... (ver link)
Uma estafadeira de quase 2 milhas de comprimento e 386 metros de ganho de altitude. Quando já se anda na zona dos 2 km... Cansa!
Claro que, como orgulhosamente Tuga que sou, depois de chegar lá acima disse "Venha outro que este era muito fácil.". Mas só depois de ter mesmo a certeza que não havia mais...:)
No fim recompensa. Mesmo já fazendo o final da descida mal vendo um boi à frente (ou um bufalo, na versão Colorada).

quinta-feira, dezembro 07, 2006

As criaturas estranhas que habitam perto de mim IV

Um movimento nacional americano...



Se ainda ao menos fosse uma das locais giras...

terça-feira, novembro 28, 2006

Cabrito montanhês

Após 6 meses de limitações, de volta em pleno! Eis a prova:



Como foi a minha primeira vez, alguns reparos...
A manhã foi difícil. Perder a virgindade não é fácíl nestas coisas... Além de diversas agressões à neve que tinha o azar de se cruzar comigo (=caia-lhe em cima), tive uma relação muito conflituosa com os skis, as botas e os batons. Aquilo só atrapalhava...
Com a tarde, vieram melhoras substanciais. Entusiasmado com os progressos, achei que a pista era insuficiente para mim, e tratei de ir pedir justificações aos pinheiros por eles se terem posto à minha frente...
Para levantar a moral, quando um gajo fica contente de fazer 2 curvas de 90º como deve ser (controladinhas e devagar), é ultrapassado por uma criaturas loiras aí de metade do tamanho e o dobro da velocidade... "Daddy, daddy, look at me!"...
Ainda assim, nada tão frustrante como "andar" de skis. Muito mais complicado que descer uma encosta de 400m com 25º é subir uma de 5º com 2m... "Walk as duck" é fácil dizer, mas o resultado inicial é muito mais rídiculo: uns instantes de "suspense", até deslizar para trás em direcção ao... chão...
Segue-se o snowboard!
Em breve mais além: KeyStone, Aspen, Veil, Os Jogos Olímpicos de Inverno...

PS: Mais qualquer coisa de amostra fotográfica no Flickr. Link hábitual, ao lado...

segunda-feira, novembro 27, 2006

Brazuca é gente humiude pra caramba mesmo, né cara?

A contrastar com a falta de Tugas, Brasileiros vão havendo uns poucos por aqui (como em todo o lado...).
A última com que me cruzei foi num encontro da Fulbright. Depois de eu lhe ter sido apresentado explicitamente como Português, "a gaja" (é o termo) tem a lata de responder em Inglês para as pessoas da organização "Bem me parecia que era um nome Brasileiro!"
E garanto que foi mesmo convicto com este significado exacto...
Ou sou eu que tenho muito azar com os que conheço, ou "cara, essa história do povo irmão... Não vem não..."

sábado, novembro 25, 2006

As criaturas estranhas que habitam perto de mim III

Segundo os locais, é o desporto de elite (universitário) em acção...

Obra de arte

Título da obra: "Knee orthosis, double upright, thigh and calf, with adjustable flexion and extension joint, medial-lateral and rotation control, prefabricated, includes fitting and adjustment"
Valor em que está avaliada: $700.00



Também conhecida como "tala para o joelho". Serve para protecção quando um gajo volta a fazer desporto, depois de rebentar com um joelho. Mas pelo preço desconfio que joga à bola sozinha, aumenta a capacidade pulmonar, aumenta o QI e ainda serve para decorar a sala com assinatura artistica!
Welcome to the USA...

sábado, novembro 11, 2006

Algo diferente (de novo)

Até há algum tempo atrás, nunca me tinha apercebido do enorme prazer que constitui ler algumas coisas na minha língua mãe, o Português.
Talvez não para toda a gente, talvez não todos os dias, mas hoje e para mim isto faz um enorme sentido:

"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.

O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá está,
A memória das naus.

O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso, porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha ladeia.

Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontraram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.

O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele."

Sempre me fascinou a simplicidade desconcertante do Alberto Caeiro...